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Shake your fist at the gates saying, "I have come home now...!
"Fetch me the spirit, the son and the father. Tell them their pillar of faith has ascended.

O.O4

eu versão 0.04

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Our bodies are given life from the midst of nothingness. Existing where there is nothing is the meaning of the phrase, "form is emptiness." That all things are provided for by nothingness is the meaning of the phrase, "Emptiness is form." One should not think that these are two separate things.
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20081114

Brincar com o Fogo, Lisboa . Campo Pequeno, 14 de Novembro; Metropolis Club, 15 Novembro


Alguém disse "existem dois tipos de fogo, um externo outro interno", ou um fogo visível, outro oculto. O fogo externo e visível é aquele que os nossos antepassados aprenderam a dominar com paus e pedras. E com o domínio desse fogo dominaram a matéria; as madeiras, as pedras, os metais. Os povos que dominaram mais eficazmente esse fogo, ou mais depressa, dominaram os outros povos. Os que fundiram os metais para fazer charruas e armas, os que fundiram a areia para fazer vidro, os que aprenderam a combinar enxofre, salitre e carbono para fazer trovões de braço.

Dentro de cada povo aqueles poucos degenerados que se juntavam para roubar, mentir e violar os outros mais pacíficos e serenos, ou vulneráveis, aprenderam a tomar conta dos meios de produção e controle do fogo, usando os produtos materiais do uso do fogo nas madeiras, pedras e metais trabalhados por outros mais serenos desse mesmo povo. Periodicamente alguns dos dominados conseguiam subverter a ordem estabelecida, mas ou adaptavam os métodos de roubar, mentir, e violar para manter o poder, ou então sucumbiam de novo aos métodos dos degenerados. E assim os degenerados tomaram conta do fogo, e dos processos da história, até que um dia todo o planeta em que viajavam pelo espaço ficou permanentemente à beira de uma guerra em forma de tempestade de fogo aniquiladora.

Com o passar da história os dominados serenos e pacíficos desenvolveram uma forma hereditária de submissão para com os dominadores. Perderam a capacidade de se insurgir colectivamente, tornaram-se masoquistas sociais, e doutrinam cuidadosamente os seus filhos nesse masoquismo. Os dominadores tornaram-se sádicos sociais, e geraram estruturas tenebrosas de influência moral e máquinas horrendas de guerra para abusar em massa dos dominados.

Alguns grupos de dominados acordam e adormecem cada dia em estado sonâmbulo. Os seus sonhos-acordados são fabricados artificialmente pelas "dream machines" controladas pelos dominadores. As grilhetas mais pesadas e seguras são invisíveis, internas, e manifestam-se na mente dos dominados como uma culpa difusa pela própria existência. Ignoram que esse sentimento nebuloso é a energia interna de insurreição e liberdade virada contra o próprio eu.
Os dominadores, esses tornam-se cada vez mais ávidos, maníacos e desesperados na sua avidez, não conseguem dormir com medo dos próprios sonhos. Com medo do arrependimento e vergonha que temem vir travestida de "ira divina". Perderam a capacidade de sentir culpa e redenção. Ao desejo e procura de liberdade dos dominados chamam feitiçaria e diabo, e todas outras coisas vermelhas e temidas, ameaçam-nos primeiro com abandono, exílio, depois tortura e inferno eterno.


















Alguém disse "dentro do fogo oculto existem três tipos de fogo", o intelectual que permite ver na escuridão da floresta de interrogações (ou mercúrio), o emocional que permite animar o corpo como uma máquina de nervos e carne (ou marte), e o espiritual, que permite iluminar as estruturas catedráticas ou cavernosas do intelecto e das emoções,
e derreter a teia emaranhada em que se combinam as constelações da memória e da alucinação, e aquecer a amalgama de novo, como um Ovo.

Outros ainda, descobriram que o fogo físico mais primevo e o fogo espiritual mais sublime se encontravam na mesma origem, no mesmo "sítio" dentro de um ovo de uma serpente que anima e queima cada corpo humano como se fosse uma tocha. E que era a coisa mais divertida do mundo brincar com esse fogo oculto.

Aqueles que o/a viram e brincaram com ele/ela desdenharam o domínio dos povos, e desdenharam dentro dos povos o domínio dos que se juntam para roubar e mentir e violar os do mesmo povo. Aqueles que o/a viram alcançaram uma nova ambição, a de dominarem os três fogos que se iluminam e ensombram mutuamente dentro de si e dentro dos outros.

Permanentemente perseguídos pelos dominadores do fogo externo bem como pelos dominados , infiltraram-se no poder ou na ausência dele, vagarosamente, secretos, perdendo-se uns dos outros para melhor se mascararem.

As suas práticas, brincadeiras, experiências e invocações são consideradas ultrajantes tanto para os dominadores como para os dominados, porque põe em questão todo os aparelhos milenares do poder do fogo externo, visível. E porque sopram um susto de vida e morte quando se abrem as portas do mundo invisível que tanto dominadores como dominados desconhecem, aquilo a que alguém chamou "o labirinto do Ovo da serpente".

Muitos dos que se dedicam à dominação dos fogos interiores estão ainda perdidos no seu próprio labirinto do Ovo de serpente. E alguns deles gostariam de esquecer que alguma vez nele entraram. Sentem-se queimados, aprendizes de feiticeiros, mas já não podem voltar para o mundo viciado do dominador-dominado.

Esses devem reaprender a "brincar com o fogo".





































Vou falar-vos dum curioso personagem: Jeremias, o fora-da-lei, Descendente por linha travessa do famigerado Zé do Telhado. Jeremias dedicou-se desde tenra idade ao fabrico da bomba caseira Cuja eloquência sempre o deixou maravilhado. Para Jeremias nada se assemelha à magia da dinamite A não ser talvez o rugir apaixonado das mais profundas entranhas da terra. E só quando as fachadas dos edifícios públicos explodirem numa gargalhada Será realmente pública a lei que as leis encerram.


Há quem veja em Jeremias apenas mais uma vítima da sociedade Muito embora ele tenha a esse respeito uma opinião bem particular. É que enquanto um criminoso tem uma certa tendência natural para ser vitimado Jeremias nunca encontrou razões para se culpar

Porque nunca foi a ambição, nem a vingança, que o levou a desprezar a lei E jamais lhe passou pela cabeça tentar alterar a Constituição. Como um poeta ele desarranja o pesadelo para lá dos limites legais, Foragido por amor ao que é belo e por vocação.
Jeremias gosta do guarda roupa negro e dos mitos do fora-da-lei, Gosta do calor da aguardente e de seguir remando contra a maré. Gosta da forma como os homens respeitáveis se engasgam quando falam dele E da forma como as mulheres murmuram: fora-da-lei.

Gosta de tesouros e mapas sobretudo daqueles que o tempo mais maltratou. Gosta de brincar com o destino e nem o próprio inferno o apavora. Não estando disposto a esperar que a humanidade venha alguma vez a ser melhor, Jeremias escolheu o seu lugar do lado de fora. **




Gosto de bricar com o fogo, de jogar com as palavras, adoro coisas perigosas, incómodas e jocosas. Gosto de coisas obscenas, de soltar as fantasias, brincadeiras maliciosas, perversamente gostosas.
Nunca peguei numa arma, eu nunca matei um homem, nunca violei mulheres, nunca massacrei crianças. Neste mundo em chamas, neste planeta a arder, neste inferno na terra temos tudo a perder.
Gosto de brincar com o fogo, deitar achas p'rá fogueira, gozar os truques da mente e confundir toda a gente. Interessa-me a puberdade, excitam-me as pernas das freiras, gosto de provocar danos nas teias dos puritanos. Mas não se brinca com a fome nem com a miséria alheia, a vida não vale nada quando se trafica o sangue. *

___________________________

*-"Gosto de Brincar com o Fogo"; J. Palma.

** "Jeremias o fora-da-lei"; idem





















































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algumas referências adicionais:

Aguiar, "O trono do Altíssimo".

Beverly Randolph, "Magia Sexualis".

Bergson, "Matéria e Memória".

Bion, "Experiencias com grupos".

Bion, "Uma memória do Futuro".

Calvino, "Seis propostas para o novo milénio"

Camus, "A Queda".

Camus, "O mito de Sísifo".

Darwin, "A expressão das emoções nos animais e no homem".

Deleuze, "O Mistério de Ariadne".

Deleuze, "Sacher Masoch".

Deleuze e Guatari, "O anti-édipo".

Eliade, "O Sagrado e o Profano".

Eliade, "Ferreiros e Alquimistas".

Engels, "As origens da familia, da propriedade e do estado"

Erasmus, "O Elogio da Loucura".

Foucault, "A história da sexualidade".

Foucault, "Vigiar e Punir".

Fulcanelli, "As mansões filosofais".

Freud, "Moralidade sexual civilizada e doenças nervosas modernas".

Freud, "Estudos sobre a Histeria".

Freud, "Moisés e o Monoteísmo".

Freud, "Totem e Tabu".

Freud, "O mal-estar na civilização".

Gilbert Durand, "Estruturas Anropológicas do Imaginário".

Herberto Helder, "Poesia Toda".

Herculano, "História da Inquisição em Portugal".

Kropotkin, "O Estado e o seu papel histórico".

Kropotkin, "Moralidade anarquista".

Kropotkin "Ajuda mútua".

Maquiavel, "O príncipe".

Marx e Engels, "O Manifesto Comunista".

Nietschze, "O Anti-Cristo"

Nietzsche, "Assim falou Zaratrusta".

Novalis, "Os Hinos à noite".

Pessoa, "O livro do desassossego".

Phillip K. Dick, "O Mistério de Valis"

Phillip K. Dick, "Vazio Infinito".

Phillip Roth, "O Seio".

Sade, "Os infortúnios da Virtude".

Sartre, "A Náusea"

Tryon-Montalembert, "A Cabala e a Tradição Judaica".

Teixeira de Pascoaes, "Aforismos".

Ursula Le guin "Trilogia de Terramar"

W. Reich, "Psicologia de Massas do Fascismo"

W. Reich, "A Função do Orgasmo".



20081105

Tell them about your dream 2

Since 1992, the United States has exported more than $142 billion dollars worth of weaponry to states around the world.The U.S. dominates this international arms market, supplying just under half of all arms exports in 2001, roughly two and a half times more than the second and third largest suppliers. U.S. weapons sales help outfit non-democratic regimes, soldiers who commit gross human rights abuses against their citizens and citizens of other countries, and forces in unstable regions on the verge of, in the middle of, or recovering from conflict. (**)



A vital element in keeping the peace is our military establishment. Our arms must be mighty, ready for instant action, so that no potential aggressor may be tempted to risk his own destruction...
This conjunction of an immense military establishment and a large arms industry is new in the American experience. The total influence — economic, political, even spiritual — is felt in every city, every statehouse, every office of the federal government. We recognize the imperative need for this development. Yet we must not fail to comprehend its grave implications. Our toil, resources and livelihood are all involved; so is the very structure of our society.( January 17, 1961.)***







...we must guard against the acquisition of unwarranted influence, whether sought or unsought, by the military-industrial complex. The potential for the disastrous rise of misplaced power exists and will persist. We must never let the weight of this combination endanger our liberties or democratic processes. We should take nothing for granted. Only an alert and knowledgeable citizenry can compel the proper meshing of the huge industrial and military machinery of defense with our peaceful methods and goals so that security and liberty may prosper together.***












Dr. Martin Luther King Jr. had originally prepared a short and somewhat formal recitation of the sufferings of African Americans attempting to realize their freedom in a society chained by discrimination. He was about to sit down when gospel singer Mahalia Jackson called out, "Tell them about your dream, Martin! Tell them about the dream!" Encouraged by shouts from the audience, King drew upon some of his past talks, and the result became the landmark statement of civil rights in America -- a dream of all people, of all races and colors and backgrounds, sharing in an America marked by freedom and democracy. [...]*

"...I have a dream that one day every valley shall be exalted, and every hill and mountain shall be made low, the rough places will be made plain, and the crooked places will be made straight, and the glory of the Lord shall be revealed and all flesh shall see it together."*

_______________________________________________
*http://usinfo.state.gov/infousa/government/overview/38.html
** http://www.fas.org/asmp/fast_facts.htm#Overview
***
Eisenhower's farewell address, January 17, 1961.
















20081002

The devil's daughters. Iniciação

Para cada homem provavelmente haveria um certo momento não identificável em que teria havido mais do que farejar...Em que as pedras teriam aberto o seu coração de pedra e os bichos teriam aberto o seu segredo de carne e os homens não teriam sido "os outros", teriam sido "nós", e o mundo teria sido um vislumbre que se reconhece como se se tivesse sonhado com ele; para cada homem teria havido aquele momento não identificável em que se teria aceite mesmo a monstruosa paciência de Deus?
[..]
E esse homem, com o grande respeito do medo diria "sim", mesmo sabendo com vergonha que este seria o seu maior crime talvez: porque havia uma falta essencial de direito de achar tudo isso belo e fatal, havia uma falta essencial de direito de um homem se agregar à divindade - até que ponto um homem tinha o direito de ser divino e dizer sim?
[...]
Atingido o nó incompreensível do sonho, aceitava-se este grande absurdo: que o mistério é a salvação (1)



Recomeçou a chover.
Os pingos escorriam dos ramos, batiam com delicadeza nas folhas e espalhavam-se pela vastidão do campo. Um relâmpago verde revelou em relance a altura insuspeita do céu. Outro clarão pôs uma àrvore antes invisível de súbito ao seu alcance. E para o abismo rolavam os trovões.
"Eu" - disse a mulher velha - "eu sou a rainha da natureza".

[...]

E como se nessa noite a mulher tivesse sido envolvida por inúmeras camadas de pesadelo e cada vez que se libertasse de uma delas pensasse erradamente ter chegado à última - só que agora estava inteiramente acordada do sonho.

[...]

Ninguém no mundo sabia que estave ali. E ninguém saberia jamais.

[...]

- "Ninguém no mundo jamais saberia" - o que alargou de repente a grande escuridão do campo e a mulher ficou perdida nele, nela, a trémula rainha da natureza.

Esse pensamento de segredo completo de que só a chuva partilhava deu-lhe prazer como se ela enfim tivesse feito algo além das suas forças humanas.

Estremeceu de alegria.

Com o vento molhado a noite bateu-lhe dura no rosto - a senhora recebeu com delícia o desconhecido pacto.
(1)




















Erros meus, má fortuna, amor ardente Em minha perdição se conjuraram; Os erros e a fortuna sobejaram, Que para mim bastava amor somente. Tudo passei; mas tenho tão presente A grande dor das cousas que passaram, Que as magoadas iras me ensinaram A não querer já nunca ser contente. Errei todo o discurso de meus anos; Dei causa [a] que a Fortuna castigasse As minhas mal fundadas esperanças. De amor não vi senão breves enganos. Oh! quem tanto pudesse, que fartasse Este meu duro Génio de vinganças!(9)






















Trapped in purgatory A lifeless object alive Awaiting reprisal. Death will be their acquisition. The sky is turning red. Return to power draws near Fall into me, the sky's crimson tears Abolish the rules made of stone, Pierced from below, souls of my treacherous past Betrayed by many, now ornaments dripping above Awaiting the hour of reprisal. Your time slips away Raining blood From a lacerated sky, Bleeding its horror, Creating my structure. Now I shall reign in blood (8)










Diz o Mago HH que




"Um [...] cresce inseguramente na confusão da carne,
sobe ainda sem palavras,
só ferocidade e gosto,
talvez como sangue ou sombra de sangue pelos canais do ser.
Fora existe o mundo.
Fora, a esplêndida violência
ou os bagos de uva de onde nascem as raízes minúsculas do sol.
Fora, os corpos genuínos e inalteráveis do nosso amor,
os rios,
a grande paz exterior das coisas,
as folhas dormindo o silêncio, as sementes à beira do vento,
- a hora teatral da posse.

E já nenhum poder destrói o [...].
Insustentável, único,
invade as órbitas,
a face amorfa das paredes,
a miséria dos minutos,
a força sustida das coisas,
a redonda e livre harmonia do mundo.

Em baixo o instrumento perplexo ignora a espinha do mistério.
E o [...] faz-se contra o tempo e a carne
."

Perdi o nome que o Mago deu a Isso, isso "que sobe ainda sem palavras". Deitei esse nome ao rio e o rio deitou-se ao mar. Escondi-o dentro do caos secreto dos oceanos de modo a poder usar a fórmula mágica, com que o Mago invocou
Isso, para fazer rodar outras coisas. Para que pudesse acordar o mecanismo daquela semente que adormeceu engolida pelo teu desaparecimento dentro de ti-mesmo/a. Para que Isso possa subir por ti na miséria dos minutos e na mais escura manhã lavar o teu/meu rosto-espelho.

Para que a invocação possa estancar os milénios, que escorrem pela brecha aberta, a cada segundo.

Fomos arrastados na enxurrada, não por lama de eternidade, mas por todas as abóbadas de almas que um dia foram surpreendidas pelo ruir dos castelos aéreos, por todos os desejos aprisionados dentro das bolhas do futuro rebentando numa aurora de gritos,
fomos sugados pelo sopro assustado de todos os corpos que um dia acordaram imediatamente antes da morte.

Depois de termos desencaixado as ideologias, corremos pelas mitologias com fome. Mas "aqui" já não estamos a falar a linguagem das mitologias. Entramo-nos dentro dos mitos e estamos húmidos deles.
Estamos a falar a linguagem que dá forma à forma abstracta das coisas, das coisas como um punhal de ternura cravado com ódio no ódio do Filho,
ou da atracção que o calor, perdido pelo sangue que banha os músculos da mão, exerce sobre a intenção de acariciar com horror a Filha.

Já não estamos a invocar demónios ou deuses, estamos a ser falados pelas energias que os animam.
Estivemos sempre perdidos, nada temos a perder, é o que estamos a Aprender de novo.
uma criatura nocturna em asfixia sente o ar da manhã como um sopro de amor,
como uma iniciação(3)





























I was born in the desert, I been down for years, Jesus, come closer, I think my time is near. And I've traveled over Dry earth and floods, Hell and high water To bring you my love. Climbed over mountains, Travelled the sea, Cast down off heaven, Cast down on my knees. I've laid with the devil, Cursed god above, Forsaken heaven To bring you my love.









I've laid with the devil

Cursed god above
Forsaken heaven
To bring you my love
Forsaken heaven
Cursed god above
Lay with the devil
Bring you my love (7)







Well, a girl is coming to you, Gonna show you what is true. The witch, she need a lover boy, Maybe it could be you. It took a while to understand, Stole the needs of another man. Push your sex on a mortal man. And the witch is coming for you (6)








"Na criação de Blodeuwedd, de Pandora e de Lilith é preciso ver o símbolo da grande viragem que teve lugar num período incerto da antiguidade ou da pré-história: o culto do deus-pai substitui o da deusa-mãe".





Pandora é obra de prometeu, o ladrão do fogo celeste, e é da sua caixa que sairão todos os males que vão afligir a humanidade. Lilith é a primeira mulher feita de argila por Iavé como Adão, e que será expulsa pelo Deus de Israel porque se revolta contra o primeiro homem, para ser substituída pela doce Eva, tirada da costela do seu marido. Os dois mágicos que fabricam Blodeuwedd fazem-no para não ter de se servir de uma mulher com perspectivas de uma nova vida [...]


De princípio muitos destes contos parecem extraordináriamente obscuros e a prática das interpretações analíticas é uma via e de que se deve desconfiar na medida em que conduz a maioria das vezes à tradição dos Pais, entre os quais se inclui Freud, como um Doutor desta Igreja que é o patriarcado falocrático. Levando mais longe o estudo do sagrado e o conhecimento histórico, a pouco e pouco podem ver-se esclarecidos muitos enigmas. Entre todas as culturas a celta é prodigiosamente rica em revelações sobre a luta dos sexos que durante tanto tempo foi ocultada e negada pela vitória masculina. (5)





Toda a repugnante misoginia do cristianismo não será demasiada para conseguir vencer esta fascinação erótica e intelectual que o Feminino exerce nos Celtas, e que conduz a uma verdadeira temática metafísica. Alguns contos ilustram-no de forma encantadora: é Bran que segue a rapariga para além dos mares com o seu ramo de macieira; é Condlé o Vermelho na Irlanda que segue uma fada, numa nave de cristal, para a "Terra prometida onde apenas habitam mulheres", apesar dos esforços do Druída para o reter; são as Raparigas do Tréguier "Tão encantadoras

como espelhos de prata / No entanto nenhuma cumpria a lei / como uma que era prostituta".
É o jovem Efflam na Bretanha armórica que é enviado pelo pai numa missão científica: deve saber porque é que o sol da manhã é rosado! Ainda na Bretanha armórica, as Margot-la-fée guardam em cavernas homens que ali se sentem tão felizes que esquecem tudo o resto, como o cavaleiro do Jardim Encantado de Armide; de igual modo a órfã Brunisse na Ocitânia recebe Jaufré, livre do encantamento da "casa dos leprosos", num pomar "todo cercado de mármore" cujas àrvores, pássaros e flores fazem pensar no paraíso.





Na versão Alemã de Tristão e Isolda, os amantes escapam à vingança do rei Marco e à fogueira para encontrar, numa gruta construída por gigantes, o leito de cristal onde se deitarão. Loégairé na Irlanda, filho de rei, é conduzido por um cavaleiro nascido do nevoeiro para o "país feérico" onde obtém a mão da bela Der Graine, que o guarda um ano antes de o autorizar a voltar a montar a cavalo.

Em todas estas narrativas as mulheres são belas e poderosas, possuem uma ciência misteriosa e são em geral benfeitoras e pacíficas. Em todos os casos a região das mulheres é sempre paradisíaca e o cativeiro, quando existe, é suave e bem aceite pelo amante. [...]
O que Jean Markale chama de um tão belo modo "a revolta da Rapariga-Flor" é em face dos ultrajes que as mulheres celtas, até há pouco tão livres e poderosas, sofreram por parte da religião nova. [...]
É o aviltamento absoluto da antiga divindade: a rainha é "atirada para a pocilga", faz-se dela uma javalina, uma porca, e o seu amor é só imundice. Para os dois apóstolos trata-se substituir o pomar florido das Imortais pela pocilga mais infecta e de votar o amante de ontem, o jovem iniciado maravilhado, à angústia necessária à salvação. Traduzamos: à insatisfação sexual necessária à sociedade moderna, necessária à produtividade, à exploração do homem pelo homem. (5)





A lua governa as marés e o sol marca as estações. E enquanto bailaram
bombardeei dia e noite o seu monte de Vénus, invoquei o grande magno dos mortos para cercar o Hades com a cavalaria de Bucephalus, e cheguei a imolar-me em folhas de tabaco, enrolado nas mortalhas de múmias, para que se não me fundissem os olhos e os tímpanos de tanto perscrutar a noite escura e os seus hinos.
O inferno somos nós mesmos a arder de fome. (3)





Ardentes filhas do prazer, dizei-me!, vossos sonhos quais são, depois da orgia? Acaso nunca a imagem fugidia do que foste em vós se agita e freme? Noutra vida e outra esfera, aonde geme outro vento, e se acende um outro dia, que corpo tínheis? que matéria fria vossa alma incendiou, com fogo estreme? Vós fostes, nas florestas, bravas feras, arrastando, leoas ou panteras, de dentadas de amor um corpo exangue... Mordei, pois, esta carne palpitante, feras feitas de gaze flutuante...Lobas! leoas! Sim, bebei meu sangue! (4)






[segui os teus passos, quiseste experimentar a minha força e a minha companhia nesse território impossível de mapear.]


O coração simultaneamente uma pedra de carvão e um "balde despejado". nenhum de nós sabe que forças telúricas acordámos nós de novo em nós, nas nossas experiências com fórmulas estranhas de amor, sexo, ódio e invocação.

O mundo sempre foi feito de energias que não controlamos. Mas o nosso entendimento e o nosso desentendimento, num jogo concertado, parecem fazer-nos seguir por um qualquer chão virtual, tão aparentemente real que acreditamos controlar os nossos passos.

Quando nos deparamos com energias tais que o entendimento e o desentendimento não se conseguem concertar, foi porque entrámos num espaço simultaneamente sagrado e amaldiçoado: assombrado, pela negra linfa da própria Luz.

somos atravessados, como ar, por energias que não apenas nos levantam do chão e o colocam por cima de nós: elas volatilizam o chão que nunca lá esteve, e já não seguimos qualquer caminho, não caminhamos, somos caminhados por, não acordamos, somos acordados por.

o coração simultaneamente o mais negro e mais vazio dos sóis,
uma pedra de carvão à espera de um fogo
um balde despejado, pronto a encher-se de... (3)




E só de pensar em quebrar a Proibição, ele recuava, de novo opondo a imaterial resistência de um duro instinto, de novo cauteloso como se houvesse uma palavra que um homem dissesse...Essa palavra ausente que no entanto o sustentava. Que no entanto era ele. Que no entanto era a sua própria energia e o modo como ele respirava. Essa palavra que era a acção e a intenção de um homem. [...] De repente susceptível, caíra em zona sagrada. (1)







































































I must be One of the devil's daughters. They look at me with scorn. Sometimes It's like being in chains, Sometimes I hang my head In chains. When people see me They scandalize my name. I'm going down To the devil's daughter, I'm gonna drown In that troubled water. It's coming round my soul, It's way beyond control. I must be one, I must be one, I must be One of the devil's daughters. (2)



_______________________
textos:
(1) in "A Maçã no Escuro", C.L.
(2) "Troubled Waters", Arthur Johnson.
(3) in "Diário de Bordo da Perdição", Zé Elias Nunes.
(4) "Metempsicose", A. Quental.
(5) in "As mulheres antes do Patriarcado", Françoise d'Eaubonne.
(6) in "The Witch", The Cult.
(7) in "To bring you my love", PJ Harvey
(8) in "Raining Blood", Tori Amos
(9) "Erros Meus. Má fortuna. Amor Ardente", Luis de Camões, cantado por A. R.

20080929

..."O vento bailava"...

Tão desleal era a potência da mais simples palavra sobre o mais vasto dos pensamentos. Na realidade o pensamento daquele homem era apenas vasto, o que não o tornava muito utilizável. No entanto parece que ele sentia uma curiosa repulsa em concretizá-lo, e até um pouco ofendido como se lhe fizessem uma proposta dúbia.



Mas como nas histórias em que o príncipe distraído toca por fatal acaso na única rosa proibida do jardim e estarrecido desencanta o jardim todo - ...incauteloso executara entre mil gestos inócuos algum acto infamiliar que involuntáriamente o transportara diante de algo maior. A lanterna esfumaçava um fio negro. As paredes hesitavam. O vento bailava à porta. E em torno dele soprava o vazio em que um homem se encontra quando vai criar. Desolado, ele provocara a grande solidão.
_______________________
texto: in "A Maçã no Escuro", C.L.

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20080924


Scarred, your back was turned curled like an embryo. Take another face, you will be kissed again. I was cold as i mouthed the words and crawled across the mirror. I wait, await the next breath, your name like ice into my heart. A shallow grave, a monument to the ruined age. Everything as cold as life, can no-one save you?. Everything as cold as silence and you will never say a word.*


As Freud said, "you can choose between neurotic misery and common unhappiness", as if this choice was the greatest gift of human intelligence. As for me, I will go on falling in love like an Eros, like Dionysus. I just don't care if Bacchae or maenads rip my body apart, you can feed with my body your lust of blood and men, because my soul will reborn and reborn again, falling and falling in love again. Love killed my soul and scattered my mind several times and they always survived. I am not afraid of love, I accept death, I accept Life. The one who wants to be immortal, to be un-dead, can choose to run away, and control. We will all meet in the place where bones and flesh do not enter. That is the only thing we can be sure of.

If love is a disease, I then want to be diseased, I want my body to rotten in pathology, and I want to be washed away by an illness so severe that I can never be useful for anything else. If love is a disease, what is Life? A mortal disease sexually transmitted: that's what life is. We are all going to dye. In fact, in the immemorial ages of time it is as if we were always dead.
Yes, you can choose to live between the "common unhappiness and the emotional misery of the neurotic". And you know what you can do with your theories and your mind control, where you can stick them up…stick them in your living grave, like a cross. **











...And I made a promise to myself, of never forgetting those horrid lonely days, so that I never again loose from sight the precious value you, and the ones like you, have for me, and the infernal pains of not having you, You, your voice, your body, your whisper, your smell, by my side, every night. **







_______________________________________
textos:
* The Cure, "Cold".
** José Elias Nunes, in "Diários de Bordo da Perdição"

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20080921

maçãs, roseiras e cicatrizes













...sem motivo nenhum, lutou erguendo a cabeça com certo brio.
É que alguma coisa branda e insidiosa se misturara a seu sangue, e ela se lembrou de como se falava de amor como de um veneno, e concordou submissa.

























Era alguma coisa adocicada e cheia de mal-estar.
Que ela, conivente, reconheceu com suavidade supliciada como uma mulher que apertando os dentes reconhece com altivez o primeiro sinal de que a criança vai nascer.

Reconheceu, pois, com alegria e impassível resignação, o ritual que se fazia nela. Então suspirou: era a gravidade pela qual ela esperara a vida inteira.


























Depois, como uma mulher que se torna desordenadamente activa em momentos críticos, imprimiu mais força na espiga crua...

...num segundo perdido entre milhares de outros na vastidão do campo, sujeita à lei da única célula que se fecunda entre as que fenecem, ela acabara de saber, como se escolhesse, que o amava.


























Por uma obscura necessidade de preservação, estava procurando recuperar no campo aquele minuto em que ela ousadamente aceitara amar o homem: procurava recuperar o minuto para destruí-lo.


























Mas, estonteada, talvez soubesse que também a necessidade de destruir o amor era o próprio amor porque amor é também luta contra amor, e se ela o soube é porque uma pessoa sabe.




























Procurou, desesperada e ofendida, aquele minuto que já agora nunca mais ela saberia se fora fatal a ponto de submetê-la - ou se nesse minuto ela própria fora tão extremamente livre que, numa gratuidade que já era pecado e que depois se pagava...









































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texto: "A Maçã no Escuro", C.L.
fotos: autor desconhecido. Modelo: Scar 13
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20080918

How I wish you were here



os olhos, a boca, o nariz, os ouvidos, o tacto.
cinco tentáculos. *






sair da pele
para o meio de um largo onde estão pessoas
falar um misto de línguas latinas do novo-mundo e grunhidos bárbaros germânicos

depois calar-me
e deixar-me apaziguar pelo som das vozes
enrolando-se nos próprios cabelos
[...]


falando tão de dentro
que se pode ver os seus ossos do ventre servindo-lhe de corpete

e as palavras um corpete para juntar o passado e o futuro



apago os meus passos,
com nevoeiro.

Nevoeiro de sangue,
fervido,
evaporado,
vaporizado.*











And did they get you to trade Your heroes for ghosts? For a lead role in a cage? We're just two lost souls Swimming in a fish bowl, Year after year, Running over the same old ground. What have we found? The same old fears...**


How I wish you were here




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Textos:
* José Elias Nunes; "Livro de Bordo da Perdição".
** Pink Floyd; "Wish you were here".

Fotos:
0.04
última foto: autor desconhecido, modelo: Kumi Monster

This Noble Truth has been penetrated by fully understanding suffering... 0.04 at 18.9.08 9 comments

Perdi alguma coisa que me era essencial, e que já não me é mais. Não me é necessária, assim como se eu tivesse perdido uma terceira perna que até então me impossibilitava de andar mas que fazia de mim um tripé estável. Essa terceira perna eu perdi. E voltei a ser uma pessoa que nunca fui. Voltei a ter o que nunca tive: apenas as duas pernas. Sei que somente com duas pernas é que posso caminhar. Mas a ausência inútil da terceira me faz falta e me assusta, era ela que fazia de mim uma coisa encontrável por mim mesma, e sem sequer precisar me procurar.