



Não há quase nada que eu mais delirio do que a good old film françês no Outono. Nos filmes franceses parece que é sempre Outono, e as roupas das mulheres são sempre folhas de Eva a cair, bem como os cabelos dos homens e os seus cigarros. Os actores ou são sempre os mesmos ou são quase sempre os mesmos, tal como a nossa família e os amigos.
Desde que soube da mostra do cinema francês que ando a sentir a falta de um Godard na veia, ou um Truffaut, (espero que as consonantes estejam todas no lugar) ou um assim. Primeiro fiquei desiludido com o filme Avida, saiu-me um surrealista à moda de Buñuel com paisagens humanas Lynchianas e uns apontamentos de Non-sense Inglês dos anos 70. Mas hoje, hoje acertámos. "Pintar ou fazer o Amor" (Paindre ou Faire L'amour), e foi verdadeiramente surpreendente. Tão francês tão francês que até passava uma canção do Jacques Brel, que servia de afrodísiaco para aventuras lascivas pós-modernas.
Ecce l´Homme et la Femme. Ho la la, bof, mais c'est bien vrai,
les Bourgeois nous sommes comme les cochons, des cochons chic bien sûr, mais des cochons quand même.
E a grande vantagem do cinema frânces é que, sendo financiado e não precisando de fazer bilheteira, pode tornar-se como todas as formas de arte independentes do valor da sua própria venda, do seu consumo, como todas as formas de inutilidade, pode tornar-se dizia eu, uma forma de
reflexão sobre a sociedade. Nós, os "burgueses" latinos europeus, podemos ver-nos ao espelho sem a constante intromissão de psicopatas, terroristas, monstros, super-heróis e etc, com recurso aos quais a indústria de filmes american(izad)os vão insidiosamente construindo a paranóia social surda com que justificam o psicótico fundamentalismo religioso, militar, policial e maníaco dos seus financiadores. Como diria Shakespeare,somos feitos da mesma matéria do que os nosso sonhos. A que Brel, com Orwell a apoia-lo, poderia contrapor: e da mesma matéria que os porcos. E atenção, eu deliro com porquinhos.


Um surdo-mudo e dois viciados em quetamina falham o rapto do cão de uma multimilionária voluptuosa, que aproveita para os obrigar a realizar as suas últimas vontades....
One of the highlights of the film is wonderful Velvet who makes mythical anti-Venus character so pure and powerful. .


"Pintar ou Fazer Amor", dos irmãos Arnaud e Jean-Marie Larrieu, apóia-se em clichês dos filmes franceses protagonizados por burgueses entediados...o casal faz amizade com o prefeito local, que é cego, e sua jovem e bela namorada. E iniciam uma relação de amizade com Adam e a sua companheira Eva (Amira Casar), que habitam a umas centenas de metros de distância. Será que há vida depois de 30 anos de casamento? Há e ela pode revelar-se deveras surpreendente. O amor surge e revela-se com toda a audácia da inocência. Como um casal no paraíso, ambos apresentarão um admirável mundo novo aos burgueses desiludidos. ----
texto: da "Folha de S. Paulo" e do "Público" e da net em geral.