Our bodies are given life from the midst of nothingness. Existing where there is nothing is the meaning of the phrase, "form is emptiness." That all things are provided for by nothingness is the meaning of the phrase, "Emptiness is form." One should not think that these are two separate things.
Qui Mariam absolvisti
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1.0.1: February 2009

eu versão 1.01

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20090226

o barbeiro e a psicanalista


semanas e semanas a fio, sem um dia de descanso. as tarefas perfilam-se, acumulam-se e agigantam-se num carrocel em espiral.
as palavras de dentro esperam em vão. o coração afoga-se em inquietações sem nome, e em vão tenta protestar.
















enquanto políticos, automobilistas, amigos, e família se entrelaçam num bolo indigesto e sereno de desorientação social e emocional, enquanto todos parecemos empurrar uma sociedade inteira para as inumeras e vorazes bocas invisíveis, enquanto cidades inteiras e aldeias globais esperneiam eficazmente dentro de uma montanhosa sepultura de açucar derretido,
o barbeiro e a psicanalista fazem o seu trabalho pausadamente.

impedem-me por mais umas semanas de me tornar um bicho surdo-mudo cabeludo com os olhos vivos nos farrapos de floresta que ainda resta.


20090220

The Masquerade



Vamos celebrar A estupidez humana
A estupidez de todas as nações
O meu país e sua corja De assassinos Cobardes, estupradores e ladrões...

Vamos celebrar A estupidez do povo
Nossa polícia e televisão
Vamos celebrar nosso governo
E nosso estado que não é nação...

Celebrar a juventude sem escolas
As crianças mortas
Celebrar nossa desunião...

Vamos celebrar Eros e Thanatos
Persephone e Hades
Vamos celebrar nossa tristeza
Vamos celebrar nossa vaidade...

Vamos comemorar como idiotas
A cada fevereiro e feriado
Todos os mortos nas estradas
Os mortos por falta De hospitais...

Vamos celebrar nossa justiça
A ganância e a difamação
Vamos celebrar os preconceitos
O voto dos analfabetos
Comemorar a água podre
E todos os impostos
Queimadas, mentiras
E seqüestros...

Nosso castelo De cartas marcadas
O trabalho escravo
Nosso pequeno universo
Toda a hipocrisia e toda a afectação
Todo roubo e toda indiferença
Vamos celebrar epidemias
É a festa da torcida campeã...

Vamos celebrar a fome
Não ter a quem ouvir
Não se ter a quem amar
Vamos alimentar o que é maldade
Vamos machucar o coração...

Vamos celebrar nossa bandeira
Nosso passado
De absurdos gloriosos
Tudo que é gratuito e feio
Tudo o que é normal
Vamos cantar juntos O hino nacional
A lágrima é verdadeira
Vamos celebrar nossa saudade
Comemorar a nossa solidão...

Vamos festejar a inveja
A intolerância
A incompreensão
Vamos festejar a violência
E esquecer a nossa gente Que trabalhou honestamente A vida inteira
E agora não tem mais Direito a nada...

Vamos celebrar a aberração De toda a nossa falta De bom senso
Nosso descaso por educação
Vamos celebrar o horror De tudo isto Com festa, velório e caixão
está tudo morto e enterrado agora
Já que também podemos celebrar A estupidez de quem cantou Esta canção...

Venha!
Meu coração está com pressa
Quando a esperança está dispersa Só a verdade me liberta
Chega de maldade e ilusão
Venha!
O amor tem sempre a porta aberta
E vem chegando a primavera
Nosso futuro recomeça
Venha!
Que o que vem é Perfeição!...



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texto: "Perfeição", Legião Urbana
imagens: Jason Stillman "The Masquerade"

20090216

A proposito de Rio J (II)

Quando ela me convidou para passar o ano na casa de Ipanema, o meu sentimento foi um misto de excitação, medo, esperança e cansaço. Tenho medo do Rio, uma vez quase fui morto com uma garrafa partida, roubado e tive de encomendar a alma ao céu. Excitação pela selva e a urbe e a euforia. O Rio é uma selva urbana, e uma selva selvagem. A Mata atlântica envolve ainda as enormes pedras onde o exercito está à mercê dos mesmos perigos que os primeiros europeus, e a nata da civilização acomoda-se até onde pode nas reentrâncias do primitivo e selvagem. A desigualdade social é vertiginosa, e a sociedade está em ebulição. Nunca o casamento do paraíso e do inferno foi uma parábola tão bem utilizada para vestir uma cidade. O casamento disfuncional, acrescente-se...



Como eu irei dizer agora, esta história será o resultado de uma visão gradual - há dois anos e meio venho aos poucos descobrindo os porquês. É a visão da iminência de. De quê? Quem sabe se mais tarde saberei. Como que estou escrevendo na hora mesma em que sou lido. Só não inicio pelo fim que justificaria o começo - como a morte parece dizer sobre a vida - porque preciso de registar os factos antecedentes.
Escrevo neste instante com algum prévio pudor por vos estar invadindo com tal narrativa tão exterior e explícita. De onde no entanto até sangue arfante de tão vivo de vida poderá quem sabe escorrer e logo se coagular em cubos de geleia trémula. Será essa história um dia o meu coágulo? Que sei eu. Se há veracidade nela, e é claro que a história é verdadeira embora inventada - que cada um a reconheça em si mesmo porque todos nós somos um
e quem não tem pobreza de dinheiro tem pobreza de espírito ou saudade por lhe faltar coisa mais preciosa do que o ouro - existe a quem falte o delicado essencial.
Como é que eu sei tudo o que se vai seguir e que ainda o desconheço, já que nunca o vivi? É que numa rua do Rio de Janeiro peguei no ar de relance o sentimento de perdição no rosto de uma moça [...] ***







































































[...] Talvez que a enorme Coisa sofra na intimidade das suas fibras, mas não se compadece nem de si nem daqueles que reduz à congelada expectação [...]
Mas a Coisa interceptante não se resolve. Barra o caminho e medita, obscura *


































É sempre no passado aquele orgasmo, é sempre no presente aquele duplo, é sempre no futuro aquele pânico. É sempre no meu peito aquela garra. É sempre no meu tédio aquele aceno. É sempre no meu sono aquela guerra. É sempre no meu trato o amplo distrato. Sempre na minha firma a antiga fúria. Sempre no mesmo engano outro retrato. É sempre nos meus pulos o limite. É sempre nos meus lábios a estampilha. É sempre no meu não aquele trauma. Sempre no meu amor a noite rompe. Sempre dentro de mim meu inimigo. E sempre no meu sempre a mesma ausência. **






















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Fotos:
0.0 e Nana
Textos:
Carlos Drummond de Andrade * O Enigma; ** O Enterrado Vivo
Clarice Lispector *** A Hora da Estrela


20090214

The anniversary of someone that I used to be

.


She sends me my blue valentines To remind me of my cardinal sin. I can never wash the guilt Or get these bloodstains off my hands. And it takes a lot of whiskey To make this nightmares go away. And I cut my bleedin heart out every nite And I die a little more on each St. Valentines day. Remember that I promised I would Write you...*




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* in "Blue Valentines", Tom Waits