Our bodies are given life from the midst of nothingness. Existing where there is nothing is the meaning of the phrase, "form is emptiness." That all things are provided for by nothingness is the meaning of the phrase, "Emptiness is form." One should not think that these are two separate things.
Qui Mariam absolvisti
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1.0.1: April 2008

eu versão 1.01

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20080427

Pós-Revolução-Spirit (ou um regalo de dia na Regaleira) [versão 0.02]






Man is tethered Spirit is Free











Man gets tired Spirit don’t













Man surrenders Spirit won’t














Man seems Spirit is















Man crawls Spirit flies














Man dreams The spirit lives













What spirit Is man can be











What spirit Is
The man can be












Now we tread the fresh fields,
the higher ground and the summer slopes that man may someday climb on.
We are in the swing.
Chandelier-like dancing and we feel everything.
High on the wine of life.










Untethered and free.


What spirit is man can be



















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Texto: "Spirit (extended version)"; Waterboys.
Imagens: Quinta da regaleira e praia das maçãs
por 0.03
e por Luis Pereira (2ª foto) http://www.pbase.com/lmrp/quinta_da_regaleira

20080426

Carmo [reedição de 25-04-07]

Lisboa, 25 de Abril de 1974

Às 5.15 sobe o tom e adverte-se as forças repressivas do regime que serão severamente responsabilizadas caso enveredem pela luta armada.

Nos intervalos, cantam José Afonso, Adriano Correia de Oliveira, José Jorge Letria, Francisco Fanhais, Luís Cília, José Mário Branco.

Os Portugueses adormeceram cinzentos e escravos num país cinzento onde nada acontecia. A madrugada vai-se enchendo de sons e de cores. Os Portugueses acordam noutro país.

...






Antes do meio-dia, pelo posto de comando, Salgueiro Maia é informado de que Marcelo Caetano está no Carmo. Os cravos vermelhos começam a ser enfiados nos canos das G-3. É cerca de 12,30.
Porém, sobre esta estrela rutilante algumas nuvens se vão acastelando.

Os guardiães do regime começam a acordar no meio daquilo que, para eles, é um verdadeiro pesadelo. Até que, pelas 5.00, Silva Pais, director-geral da PIDE, telefona a Marcelo Caetano:

- Senhor Presidente, a Revolução está na rua!
...
É então que se decide que o chefe do Governo se deve acolher ao quartel do Carmo.
Maia recebe ordem do posto de comando para abrir fogo sobre o edifício. Porém, ele sabe que as granadas explosivas das autometralhadoras num largo apinhado de gente irão provocar centenas de mortes.
Entra uma segunda vez e exige falar com o Presidente do Conselho.



«Marcelo estava pálido, barba por fazer, gravata desapertada, mas digno. Fiz-lhe a continência da praxe e disse-lhe que queria a rendição formal e imediata. Declarou esperar que o tratassem com a dignidade com que sempre tinha vivido e perguntou o que ia ser feito dele. Perguntou a quem competia. Declarei que a «Óscar». Perguntou quem era «Óscar». Declarei ser a Comissão Coordenadora. Perguntou-me quem eram os chefes. Declarei serem vários oficiais, incluindo alguns generais, isto para que ele não ficasse mal impressionado por a Revolução ser feita essencialmente por capitães.



Cantai cantai no pino do inferno Em Janeiro ou em Maio é sempre cedo Cantai cardumes da guerra e da agonia Cantai cantai melancolias serenas Como trigo da moda nas verbenas Os vossos salmos de embalar meninos Cantai bichos da treva e da opulência A vossa vil e vã magnificência Cantai os vossos tronos e impérios Sobre os degredos sobre os cemitérios Cantai cantai que o ódio já não cansa
Com palavras de amor e de bonança

Coro dos caídos (Zeca Afonso)



*


20080424

Bravia Chaimite



The Bravia Chaimite is an armored vehicle built by the Portuguese company Bravia and used by the Portuguese Army in the colonial war in Angola, Mozambique and Guinea-Bissau, from 1967 to 1974 when it ended. There were two versions of the Chaimite, the VBTP V-200 and the VBPM V-600. The VBTP, (translated from Portuguese means, armoured personnel carrier), had an 11 man capacity and was armed with one .50 Browning heavy machine-gun, while the VBPM, (in Portuguese, armoured mortar carrier), had only a 4 man capacity and was armed with one Browning .30 heavy machine-gun and one 81 mm mortar. These vehicles had diesel engines with 155 hp (115 kW) at 3300 rpm with automatic gear capable of taking on speeds to a maximum of 90 km/h (55 mph).






20080422

...e se de repente um cão (des)conhecido lhe oferecer flores [ou: um romantismo pós-estruturalista?] [versão 0.02]





If this is correct then the assumption that we¬the inner self¬have thoughts that we choose to put into language to communicate with our fellows is an illusion, for there can be no inner-self.



Bom, já chega de estruturas, chegou mesmo a prima Vera, uma das últimas pós-estruturalistas precoces no activo. Cães, Impulse, Koons, porquê? Tem havido aí uma matilha de simpáticos cães no ciber-espaço que vou lambendo com os olhos, e nos livros que vou frequentando . Hoje fui visitar a Frioleiras depois de tanto tempo e lá estava mais um cão do Koons.

A mim, (in)pessoalmente o que me interessa mais é perceber porque é que o Gonçalo Tavares coloca a metáfora "des-estruturalista" da terra encharcada a desabar em cima de um homem, matando-o, em conjunção com o "desabar das certezas" desse homem, e fá-lo exactamente no mesmo capítulo em que alude à tristeza enquanto um cão que obedece aos poetas, mas que é perigoso,
talvez sem saber que Bukowsky aludiu ao amor como um "cão do inferno" ao mesmo tempo que o mesmo Bukowsky deixa desabar em cima de si as estruturas do parentesco.


A grande pergunta é: "E se um cão (do inferno) de repente lhe oferecer flores?"
"Boa" questão.
"Muito Boa" questão. Não é?
Ão é? Ou apenas mais uma "falsa" questão?

Perdão, isto ão é um blog. Mas mesmo assim não vale a pena exagerar.

Thus the subtle anti-ego and anti-individualist stance of the currently respected Post-modern thinkers, Barthes, Derrida and Foucault, when translated into the field of art becomes far more concrete and determinate than in its original context. This is the pessimistic side for this situation: since Romanticism, art has stood for the liberation of the inner self that is supposedly suppressed by the higher consciousness (our internal representative of society at large) thus art has stood for individuals against a social norm. Now Post-modernism, along with the Post-structuralist thought that informs it, objects to this view as fundamentally false in its model of what we as human beings are...

If this is correct then the assumption that we¬the inner self¬have thoughts that we choose to put into language to communicate with our fellows is an illusion, for there can be no inner-self....


The further insight that Post-structuralism has supplied concerns the idea that we are imprisoned within language¬it circumscribes what we can say and what we can know. This appears to some to be a branch of skepticism.








[...] Collings
: Do you really work at upsetting people?

Koons: I never do anything just for shock value. I'm only interested in developing art and freeing it, so that artists can be more liberated in what they do. I'm just showing what's necessary in order for the work to be really effective [...] I point to that sort of thing because it's an example of what everybody faces every day of their lives; when they have an opportunity to be really effective, that's exactly the moment when they back off. Effectiveness is power and the exercise of power. And that's what separates the men from the boys.

Collings
: I suppose viewers might wonder what these sort of considerations have to do with art . . .

Koons: Yes, I find that difficult to understand.




20080418

...estruturas, o cão do infverno, saber a mar, "mulheres"-"boas", esquece o que leste, descolagens (de retina) súbitas, desabamento de ficções...















For the structuralist the individual is shaped by sociological, psychological and linguistic structures over which he/she has no control.

They disagreed with the existentialists' claim that each man is what he makes himself.

For Marxists, the truth of human existence could be understood by an analysis of economic structures. Psychoanalysts attempted to describe the structure of the psyche in terms of an unconscious.*

























A Tristeza obedece aos poetas. Como um cão, dirás.
Como um cão que acabas de conhecer, digo.
Um cão perigoso. **
















Um operário morreu soterrado. A terra é uma coisa que nos tolera por cima, mas temporariamente. Por cima da terra és um animal efémero... Morreu porque um excesso de água entrou pelas terras e as terras antes sólidas tremeram e a certeza caiu sobre um homem surpreendido. **














Post-structuralists hold that the concept of "self" as a singular and coherent entity is a fictional construct. ***




















Structuralism studied the underlying structures inherent in cultural products (such as texts), and utilizes analytical concepts from linguistics, psychology, anthropology and other fields to understand and interpret those structures.
Although the structuralist movement fostered critical inquiry into these structures, it emphasized logical and scientific results. Many structuralists sought to integrate their work into
pre-existing bodies of knowledge.
***


















The general assumptions of
post-structuralism derive from critique of structuralist premises. Specifically, post-structuralism holds that the study of underlying structures is itself culturally conditioned and therefore subject to myriad biases and misinterpretations. To understand an object (e.g. one of the many meanings of a text), it is necessary to study both the object itself, and the systems of knowledge which were coordinated to produce the object. In this way, post-structuralism positions itself as a study of how knowledge is produced. ***




(Dynamic systems equilibrium: structures)






-
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pachorra: 0.03

textos:

* Roger Jones
** Gonçalo M. Tavares
*** autor wiki desconhecido

imagens: milo manara, auto-retratos de 0.03, e etc.

20080415

invenção nº 04.04.2006 [versão 0.04]








C
ampos verdes floridos

Água simples correndo
A brisa das montanhas

Um caso típico de inadaptação congénita disseram os psicólogos
Foi condenado à morte é evidente
Mas caminhou cantando para o muro da execução



















"Em todas as esquinas da cidade, nas paredes dos bares à porta dos edifícios públicos nas janelas dos autocarros, mesmo naquele muro arruinado por entre anúncios de aparelhos de rádio e detergentes, na vitrine da pequena loja onde não entra ninguém, no átrio da estação de caminhos de ferro que foi o lar da nossa esperança de fuga, um cartaz denuncia o nosso amor."

Em letras enormes do tamanho do medo da solidão da angústia um cartaz denuncia que um homem e uma mulher se encontraram num bar de hotel numa tarde de chuva entre zunidos de conversa e inventaram o amor com caracter de urgência deixando cair dos ombros o fardo incómodo da monotonia quotidiana. Um homem e uma mulher que tinham olhos e coração e fome de ternura e souberam entender-se sem palavras inúteis. Apenas o silêncio A descoberta A estranheza de um sorriso natural e inesperado. Não saíram de mãos dadas para a humidade diurna. Despediram-se e cada um tomou um rumo diferente embora subterraneamente unidos pela invenção conjunta de um amor subitamente imperativo.

Um homem e uma mulher, um cartaz denuncia, colado em todas as esquinas da cidade. A rádio já falou A TV anuncia, iminente a captura.

A policia de costumes avisada
procura os dois amantes nos becos e nas avenidas
Onde houver uma flor rubra e essencial
é possível que se escondam tremendo a cada batida na porta fechada para o mundo
É preciso encontrá-los antes que seja tarde
Antes que o exemplo frutifique Antes
que a invenção do amor se processe em cadeia

Há pesadas sanções para os que auxiliarem os fugitivos
Chamem as tropas aquarteladas na província
Convoquem os reservistas os bombeiros os elementos da defesa passiva
Todos decrete-se a lei marcial com todas as consequências
O perigo justifica-o Um homem e uma mulher
conheceram-se amaram-se perderam-se no labirinto da cidade

É indispensável encontrá-los dominá-los convencê-los
antes que seja tarde
e a memória da infância nos jardins escondidos
acorde a tolerância no coração das pessoas

Fechem as escolas Sobretudo
protejam as crianças da contaminação
uma agência comunica que algures ao sul do rio
um menino pediu uma rosa vermelha
e chorou nervosamente porque lha recusaram
Segundo o director da sua escola é um pequeno triste inexplicavelmente dado aos longos silêncios e aos choros sem razão
Aplicado no entanto Respeitador da disciplina
Um caso típico de inadaptação congénita disseram os psicólogos
Ainda bem que se revelou a tempo Vai ser internado
e submetido a um tratamento especial de recuperação
Mas é possível que haja outros É absolutamente vital
que o diagnóstico se faça no período primário da doença
E também que se evite o contágio com o homem e a mulher
de que fala no cartaz colado em todas as esquinas da cidade

Está em jogo o destino da civilização que construímos
o destino das máquinas das bombas de hidrogénio das normas de discriminação racial
o futuro da estrutura industrial de que nos orgulhamos
a verdade incontroversa das declarações políticas

...

É possível que cantem
mas defendam-se de entender a sua voz Alguém que os escutou
deixou cair as armas e mergulhou nas mãos o rosto banhado de lágrimas
E quando foi interrogado em Tribunal de Guerra
respondeu que a voz e as palavras o faziam feliz
lhe lembravam a infância Campos verdes floridos
Água simples correndo A brisa das montanhas
Foi condenado à morte é evidente É preciso evitar um mal maior
Mas caminhou cantando para o muro da execução
foi necessário amordaçá-lo e mesmo desprendia-se dele
um misterioso halo de uma felicidade incorrupta

...

Procurem a mulher o homem que num bar
de hotel se encontraram numa tarde de chuva
Se tanto for preciso estabeleçam barricadas
senhas salvo-condutos horas de recolher
censura prévia à Imprensa tribunais de excepção
Para bem da cidade do país da cultura
é preciso encontrar o casal fugitivo
que inventou o amor com carácter de urgência

Os jornais da manhã publicam a notícia
de que os viram passar de mãos dadas sorrindo
numa rua serena debruada de acácias
Um velho sem família a testemunha diz
ter sentido de súbito uma estranha paz interior
uma voz desprendendo um cheiro a primavera
o doce bafo quente da adolescência longínqua









um misterioso halo de uma felicidade incorrupta











Texto: Daniel Filipe
Imagens recortes e colagens: 0.03